A solidão do suicida

“Às vezes, um sorriso largo demais pode esconder dores profundas demais.”

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Foto tirada por Pedro H. C. de Sousa. Todos os direitos reservados. 2017.

Sim, pessoal, este é mais um texto (entre muitos) a falar sobre o suicídio. Então, sente-se onde quer que você esteja, acomode-se confortavelmente porque iremos falar sobre um assunto que merece toda a nossa atenção e compreensão. Mas, se você não estiver afim de ler o que tenho a dizer, tudo bem. Você pode fechar este site e seguir sua vida como se nada tivesse acontecido. Continue Lendo “A solidão do suicida”

Você sabe o que são doenças raras?

Doenças raras são aquelas com pouca prevalência na sociedade, mas nem por isso, menos importantes que outras, “mais comuns”.

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A zebra é tida como um símbolo dos pacientes com doença rara. Isso vem de uma piada entre os médicos que diz que, ao ouvir o som de cascos batendo no chão, logo se pensa em cavalos, mas também podem se zebras.

Para quem não sabe, eu tenho uma doença genética rara chamada Síndrome de Ehlers-Danlos. Na verdade, sendo mais específico, eu tenho uma variação da Síndrome de Ehlers-Danlos, chamada Síndrome da Córnea Frágil ou, simplesmente, Síndrome de Ehlers-Danlos 6-B. Resumidamente, essa síndrome é uma doença que afeta a constituição do tecido conectivo, formado essencialmente por colágeno e outras proteínas. Como o colágeno, nos pacientes com a síndrome, é mal formado, isso gera consequências diversas no corpo humano, uma vez que o tecido conectivo abrange a quase totalidade dele. Entre os vários sintomas da síndrome, os mais comuns são articulações muito móveis e fáceis de deslocar, uma pele hiperextensível, fragilidade ocular e vascular, desenvolvimento precoce de cifoescoliose, surdez, entre outros. Isso é um pouco da Síndrome de Ehlers-Danlos, chamada carinhosamente de SED por seus pacientes. Continue Lendo “Você sabe o que são doenças raras?”

Das (minhas) razões de ser contrário às cotas

“É preciso que a sociedade como um todo tome consciência de que a educação é a única saída para o desenvolvimento social (…) A educação é um direito universal, negá-la, é negar o direito a uma vida digna.”

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Antes de prosseguir com o texto, quero deixar alguns avisos aqui aos leitores, a fim de evitar desentendimentos desnecessários.

  1. Este texto reflete um ponto de vista pessoal meu e, portanto, sujeito a diversas falhas de perspectivas. Trago ele à tona porque acredito que todas as opiniões são válidas quando elas levam a um debate sadio e que promove o pleno entendimento entre as pessoas. Viu algum erro aqui? Comente-o, o texto está aberto à discussão;
  2. Meu texto não se pretende dono da verdade, ele é apenas um ponto de vista entre vários e que, por estar publicado de forma aberta a todos, se põe sujeito ao questionamento, desde que de forma educada e bem fundamentada. Se discorda de algo, o campo de comentários está aberto para você;
  3. Tive medo de publicar esse texto por receio da reação de alguns grupos, mas isso é errado. Ninguém deve ter medo de expressar suas ideias. Liberdade de expressão significa não só falar (e escrever) o que se quer, mas ouvir (ou, no caso, ler) o que não se quer ou não se concorda também. Por isso decidi pela publicação do texto, fazendo uso de minha liberdade de expressão assim como dando liberdade a quem quer que seja de discordar.
  4. Por fim, desejo uma boa leitura e agradeço pelo interesse em ler isso aqui.

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Eu, ateu.

“A fé não foi feita para os céticos, essa é uma verdade que aprendi entre idas e vindas na igreja.”

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Photo by Pedro Henrique. Todos os direitos reservados.

Ainda que a virada de ano de 2016 para 2017 tenha sido como todas as outras viradas de ano pelas quais passei, 2017 começou ligeiramente diferente no que tange a minha vida pessoal. Eu resolvi sair do armário e não, não estou falando de minha sexualidade (essa eu já libertei há muitos anos atrás), mas de religiosidade, ou, no meu caso, da ausência dela. Continue Lendo “Eu, ateu.”

A palavra que escreve o autor

O autor escreve o texto, mas é o texto quem escreve o autor.

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Imagem da internet. Disponível em Google Images.

Quando se pensa em literatura e em todo o universo de produção literária, geralmente se vê o escritor como o agente da ação de escrever. É ele que dá a forma à palavra, sentido inicial à sua história. E, por certo ângulo, é isso mesmo. O autor é criador de seu próprio universo e, por que não, de sua própria realidade. Mas, não só isso. Ele é, também e na via contrária, criação de sua criação, reflexo de sua própria obra, fruto da semente plantada por ele mesmo. Continue Lendo “A palavra que escreve o autor”

Solitude

Sobre estar só e sentir-se só.

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Imagem da internet, disponível em Google Images.

Para quem sempre a solidão fora uma amiga, estar só não é algo ruim. Na verdade, poder-se-ia dizer que os momentos de solidão são aqueles em que melhor se está consigo mesmo, é quando se encontra a paz perdida nesse mundo caótico e passa a se sentir em harmonia consigo e com o mundo. Continue Lendo “Solitude”

Sobre sair do armário num mundo de hostilidades

Quando a liberdade de ser se choca com a liberdade de viver.

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Imagem da internet, disponível em Google Images.

No meio dos grupos de ativismo LGBT+, muito se fala sobre “sair do armário”, às vezes como um convite à liberdade, às vezes como uma sentença de participação. Veja bem, para grande parte dos gays, das lésbicas, bissexuais, transexuais e toda a comunidade LGBT+, “sair do armário” pode ser bem traumático e, ainda que isso seja um convite à liberdade do ser, nem sempre ele vem acompanhado da liberdade de viver. Continue Lendo “Sobre sair do armário num mundo de hostilidades”

A vida secreta de um ghostwriter

Sobre a vida de quem existe apenas nas entrelinhas.

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Imagem da internet, disponível em Google Images.

Eu não sabia o que era um ghostwriter até poucos meses atrás, quando descobri que o que faço há anos tinha um nome. Ghostwriter (ou escritor fantasma, em tradução direta) é aquele(a) que escreve textos diversos para vários clientes, mas  cuja autoria não é dele próprio. Como assim? Um cliente X me contacta e me pede para escrever um trabalho qualquer. Eu escrevo e entrego ao cliente, mas entrego também não só o trabalho, mas a autoria. Se for um livro, por exemplo, quem escreveu foi eu, mas o nome que irá aparecer na capa é o do cliente. Eu existo apenas no contrato feito entre mim e o tal cliente X. Continue Lendo “A vida secreta de um ghostwriter”

A rosa de Hiroshima que nunca foi colhida

E se descobrirmos que todas as nossas escolhas foram erradas?

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Imagem da internet, disponível em Google Images.

Sempre quando penso na vida, penso nas escolhas que fizemos, penso nos arrependimentos que terei quando eu for velho, nas coisas que eu gostaria de ter feito e naquelas que, definitivamente, eu preferiria nunca ter pensado em fazê-las. Inevitavelmente, acabo pensando nas coisas que as outras pessoas poderiam se arrepender ao longo de suas vidas, do que elas gostariam de se lembrar e o que elas gostariam que deixasse de existir. Penso nas grandes figuras da história, nos líderes e tiranos que dominaram sociedades inteiras, nos conquistadores e colonizadores que dizimaram civilizações completas para impor seu domínio. Continue Lendo “A rosa de Hiroshima que nunca foi colhida”

Eu, Pedro H., 27 anos, desempregado e desiludido

Sobre aquele sentimento de incompetência que assola multidões.

Epitáfios à Parte. ©2016. Todos os direitos reservados.
Foto por: Pedro Henrique. Todos os direitos reservados.

Nunca parei muito tempo para pensar na minha vida. Aliás, nunca pensei muito na minha vida. Eu venho de uma geração que cresceu com a ideia de que “podemos ser o que quisermos”. Doce engano. A realidade se mostrou mais dura do que o esperado e, no fim, terminei sem muita coisa da qual pudesse me orgulhar. Continue Lendo “Eu, Pedro H., 27 anos, desempregado e desiludido”