A volatilidade do pensamento descartiano

(…) tudo é volátil e relativo a partir do momento em que não existe, na verdade, consenso algum para se afirmar que algo é algo. (…) Eu existo, sim. Mas, e depois?

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Ao pensar na celébre frase de René Descartes, “penso, logo existo”, veio-me à mente o seguinte questionamento sobre nossa existência: se penso, logo existo, então o que existe é o pensamento e não o próprio ser pensante, aquele que pensa o pensamento. O pensamento estaria, portanto, num nível de existência em que nós, criaturas pensantes, não estaríamos. Nós habitaríamos o reino do imaginável, do “pensável”.

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Da religião e sua luta contra a natureza humana

Aquela história de que o maior inimigo do homem é ele mesmo se encaixa bem aqui, mas com uma pequena adaptação: o maior inimigo do crente é sua mente.

O ser humano é falho por natureza e isso tanto biologicamente como, mais importante aqui, moralmente. Talvez por consciência de sua natureza errante, o homem sempre tenha procurado alguma coisa que lhe desse uma “essência mais pura”, mesmo que nada disso fizesse sentido num olhar mais profundo. Vive-se querendo justificar os próprios erros quase que numa tentativa inconsciente de nos devolver a inocência de nossa infância. Mas, não é bem assim que as coisas são. Continue Lendo “Da religião e sua luta contra a natureza humana”

Como eu sobrevivi ao bullying

O bullying pretende nos calar e é por isso que devemos gritar, explodir nossos pulmões e mostrar que nós estamos aqui, nós existimos, nós somos alguém e temos sentimentos também.

Eu tinha entre 6 e 7 anos quando tudo aconteceu. Na época, estava na primeira série do ensino fundamental, hoje chamada de 2º ano do EF. Até onde me lembro, eu era uma criança comum, gostava de estudar, era sociável. Obviamente, eu não tinha vivido muito do mundo para saber que as pessoas podem ser más, que elas podem reagir com hostilidade diante daquilo que lhes é diferente. Do mesmo modo, não havia vivido o suficiente para entender que, nem sempre, as pessoas são más por vontade própria, mas por medo, medo de encarar a realidade.

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Escoliótico

Por mais irônico que pareça, é na dor que tenho minhas melhores ideias, é na dor que minha mente se torna mais criatíva, crítica e analítica. Eu gostaria muito de não sentir dor todos os dias, (…) mas me pergunto como seria minha vida sem isso.

As curvas de meu corpo expõem os percalços de minha vida. Não são curvas de um corpo saudável e definido. São curvas de um corpo mal fabricado e ferido. Minhas curvas não me causam encanto nem contemplação, mas antes, dor e reflexão. Sim, reflexão porque, na dor, minha mente procura qualquer ópio que a faça se distrair da realidade doída de um corpo com curvas demais.

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A superficialidade das relações humanas em tempos de realidade virtual

“A internet nos mascara e, de certo modo, nos esconde. Impede que as pessoas nos conheçam de fato, pois, nesse universo, podemos ser o que quisermos ser.”

Eu cresci em uma época em que computadores eram um sonho distante para pessoas que, como eu, faziam parte de uma família que dependia do salário mínimo. Eu venho de uma era pré-internet, pré-computadores e smartphones. Nos anos 1990, laptops, tablets, smartphones com tela sensível ao toque, tudo isso e muito mais era uma realidade quase utópica, vista somente em filmes de ficção científica. Exclua-se, talvez, os laptops que, de fato, já existiam em 1990, mas custavam os dois rins e um coração. Ou seja, era um artigo de luxo voltado somente aos mais abastados. Continue Lendo “A superficialidade das relações humanas em tempos de realidade virtual”

Hoje eu vi o céu

“A vida não muda quando você quer e também não muda quando você não quer.”

Daqui alguns dias, fará um ano que recriei o Epitáfios à Parte. Minha ideia em repaginar o EaP se sustentava na premissa de que eu mesmo precisava de uma repaginada, coisa que nunca aconteceu. A questão é que quase um ano se passou e as coisas continuam do mesmo jeito e isso é estranho. Estranho, porque se fala muito da mutabilidade da vida como se isso fosse uma regra inquestionável, mas não é. A vida não muda quando você quer e também não muda quando você não quer. Na verdade, é até difícil dizer ou prever quando haverá alguma mudança significativa na vida porque isso me parece bem aleatório. Continue Lendo “Hoje eu vi o céu”

A solidão do suicida

“Às vezes, um sorriso largo demais pode esconder dores profundas demais.”

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Foto tirada por Pedro H. C. de Sousa. Todos os direitos reservados. 2017.

Sim, pessoal, este é mais um texto (entre muitos) a falar sobre o suicídio. Então, sente-se onde quer que você esteja, acomode-se confortavelmente porque iremos falar sobre um assunto que merece toda a nossa atenção e compreensão. Mas, se você não estiver afim de ler o que tenho a dizer, tudo bem. Você pode fechar este site e seguir sua vida como se nada tivesse acontecido. Continue Lendo “A solidão do suicida”

Você sabe o que são doenças raras?

Doenças raras são aquelas com pouca prevalência na sociedade, mas nem por isso, menos importantes que outras, “mais comuns”.

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A zebra é tida como um símbolo dos pacientes com doença rara. Isso vem de uma piada entre os médicos que diz que, ao ouvir o som de cascos batendo no chão, logo se pensa em cavalos, mas também podem se zebras.

Para quem não sabe, eu tenho uma doença genética rara chamada Síndrome de Ehlers-Danlos. Na verdade, sendo mais específico, eu tenho uma variação da Síndrome de Ehlers-Danlos, chamada Síndrome da Córnea Frágil ou, simplesmente, Síndrome de Ehlers-Danlos 6-B. Resumidamente, essa síndrome é uma doença que afeta a constituição do tecido conectivo, formado essencialmente por colágeno e outras proteínas. Como o colágeno, nos pacientes com a síndrome, é mal formado, isso gera consequências diversas no corpo humano, uma vez que o tecido conectivo abrange a quase totalidade dele. Entre os vários sintomas da síndrome, os mais comuns são articulações muito móveis e fáceis de deslocar, uma pele hiperextensível, fragilidade ocular e vascular, desenvolvimento precoce de cifoescoliose, surdez, entre outros. Isso é um pouco da Síndrome de Ehlers-Danlos, chamada carinhosamente de SED por seus pacientes. Continue Lendo “Você sabe o que são doenças raras?”

Das (minhas) razões de ser contrário às cotas

“É preciso que a sociedade como um todo tome consciência de que a educação é a única saída para o desenvolvimento social (…) A educação é um direito universal, negá-la, é negar o direito a uma vida digna.”

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Antes de prosseguir com o texto, quero deixar alguns avisos aqui aos leitores, a fim de evitar desentendimentos desnecessários.

  1. Este texto reflete um ponto de vista pessoal meu e, portanto, sujeito a diversas falhas de perspectivas. Trago ele à tona porque acredito que todas as opiniões são válidas quando elas levam a um debate sadio e que promove o pleno entendimento entre as pessoas. Viu algum erro aqui? Comente-o, o texto está aberto à discussão;
  2. Meu texto não se pretende dono da verdade, ele é apenas um ponto de vista entre vários e que, por estar publicado de forma aberta a todos, se põe sujeito ao questionamento, desde que de forma educada e bem fundamentada. Se discorda de algo, o campo de comentários está aberto para você;
  3. Tive medo de publicar esse texto por receio da reação de alguns grupos, mas isso é errado. Ninguém deve ter medo de expressar suas ideias. Liberdade de expressão significa não só falar (e escrever) o que se quer, mas ouvir (ou, no caso, ler) o que não se quer ou não se concorda também. Por isso decidi pela publicação do texto, fazendo uso de minha liberdade de expressão assim como dando liberdade a quem quer que seja de discordar.
  4. Por fim, desejo uma boa leitura e agradeço pelo interesse em ler isso aqui.

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Eu, ateu.

“A fé não foi feita para os céticos, essa é uma verdade que aprendi entre idas e vindas na igreja.”

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Photo by Pedro Henrique. Todos os direitos reservados.

Ainda que a virada de ano de 2016 para 2017 tenha sido como todas as outras viradas de ano pelas quais passei, 2017 começou ligeiramente diferente no que tange a minha vida pessoal. Eu resolvi sair do armário e não, não estou falando de minha sexualidade (essa eu já libertei há muitos anos atrás), mas de religiosidade, ou, no meu caso, da ausência dela. Continue Lendo “Eu, ateu.”