A volatilidade do pensamento descartiano

(…) tudo é volátil e relativo a partir do momento em que não existe, na verdade, consenso algum para se afirmar que algo é algo. (…) Eu existo, sim. Mas, e depois?

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Ao pensar na celébre frase de René Descartes, “penso, logo existo”, veio-me à mente o seguinte questionamento sobre nossa existência: se penso, logo existo, então o que existe é o pensamento e não o próprio ser pensante, aquele que pensa o pensamento. O pensamento estaria, portanto, num nível de existência em que nós, criaturas pensantes, não estaríamos. Nós habitaríamos o reino do imaginável, do “pensável”.

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A palavra que escreve o autor

O autor escreve o texto, mas é o texto quem escreve o autor.

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Imagem da internet. Disponível em Google Images.

Quando se pensa em literatura e em todo o universo de produção literária, geralmente se vê o escritor como o agente da ação de escrever. É ele que dá a forma à palavra, sentido inicial à sua história. E, por certo ângulo, é isso mesmo. O autor é criador de seu próprio universo e, por que não, de sua própria realidade. Mas, não só isso. Ele é, também e na via contrária, criação de sua criação, reflexo de sua própria obra, fruto da semente plantada por ele mesmo. Continue Lendo “A palavra que escreve o autor”